Saneamento

Tratamento biológico de esgoto

Tratamento biológico de esgoto usa microrganismos como bactérias, algas e protozoários para ajudar na decomposição da matéria orgânica. Entenda.

Estação de tratamento biológico de esgoto
Tratamento biológico pode ser usado em efluentes industriais e domésticos. Fonte: Envato.

Realizar o tratamento biológico de esgoto é aproveitar ao máximo os processos naturais para a limpeza da água. Embora não seja visivelmente complexo, ele envolve uma harmonia entre biologia e bioquímica, por isso necessita dos equipamentos e etapas corretos.

Há também métodos diferentes de realizar o tratamento biológico de esgoto, conforme a necessidade local. Entre os tipos de resíduos que são tratados, há desde metais pesados até matéria orgânica. Portanto, o tratamento biológico de esgoto permite que o descarte dessas substâncias seja adequado, desde que cumpra as devidas etapas de processamento.

O que é o tratamento biológico de esgoto?

O tratamento biológico de esgoto, também conhecido como tratamento biológico de efluentes, utiliza os processos naturais de bactérias e outros microrganismos para decompor a matéria orgânica presente nos efluentes industriais e domésticos.

Em uma estação de tratamento de esgoto (ETE), ele corresponde ao tratamento secundário — a etapa que vem depois do tratamento preliminar e primário (que removem sólidos e parte da carga física) e antes de eventuais etapas terciárias de polimento.

Chamamos de efluentes todos os resíduos provenientes das atividades industriais e domésticas, como água de lavagem, compostos orgânicos e inorgânicos, chorume de aterros, água de descarga, de caixas de gordura e vários outros tipos. Quando não tratados, eles geram impacto negativo no meio ambiente, causando poluição, morte de animais marítimos e várias doenças.

Através do tratamento biológico, as substâncias orgânicas são decompostas com processos celulares normais, tornando-se um tratamento mais barato em relação a outros métodos. Além do custo-benefício, o tratamento biológico de esgoto também permite versatilidade. O processo é capaz de decompor tanto materiais como lixo e alimentos quanto toxinas. Para isso, podem ser utilizadas duas técnicas distintas: aeróbia ou anaeróbia.

Tratamento aeróbio

No caso do tratamento biológico de esgoto através do processo aeróbio, estamos falando da presença do oxigênio. Entre os métodos e recursos, como tanques sépticos ou valas de oxidação, há alguns mais importantes e essenciais:

  • Aeração por spray;
  • Lodo ativado;
  • Filtros de gotejamento;
  • Tratamento de tanques e lagoas;
  • Digestão aeróbica.

Vale considerar que áreas úmidas construídas com a finalidade de tratar o esgoto também podem ser incluídas aqui. O lodo ativado é um dos exemplos aeróbios mais antigos, utilizado inclusive para tratamentos de resíduos industriais. Fábricas de celulose e papel, por exemplo, causam efluentes que podem ser tratados a partir do método biológico aeróbio.

Tratamento anaeróbio

Com relação ao tratamento biológico de esgoto no modo anaeróbio, a principal característica é o fato de não haver presença de oxigênio na decomposição. Portanto, é um método contrário ao anterior. Para isso, as bactérias são as principais aliadas, realizando a deterioração do material.

Um dos usos mais conhecidos do tratamento biológico de esgoto é a digestão anaeróbia na recuperação de energia. O que isso significa? Que o resíduo é convertido em energia, como acontece com o metano para a produção de biogás.

No Brasil, um dos equipamentos anaeróbios mais usados é o reator UASB (reator anaeróbio de fluxo ascendente e manta de lodo), muito comum nas estações de tratamento por ser compacto, de baixo custo operacional e por produzir biogás.

Aeróbio x anaeróbio: principais diferenças

CritérioTratamento aeróbioTratamento anaeróbio
OxigênioPresente (exige aeração)Ausente
VelocidadeMais rápidoMais lento
EnergiaConsome energia na aeraçãoPode gerar energia (biogás)
Geração de lodoMaiorMenor
OdorMenorMaior (requer controle)
ExemplosLodo ativado, lagoas aeradasReator UASB, biodigestores

Tratamento MABR

Entre os tipos de tratamento biológico de esgoto, também estão surgindo algumas técnicas e processos tecnológicos. Um deles é o Reator de Biofilme por Membrana Aerada (MABR), que economiza o uso de energia em até 90%.

Atualmente, essa técnica de tratamento biológico de esgoto já é utilizada em países como China e Estados Unidos. Além de otimizar o processo, ela também permite criar sistemas de monitoramento remoto e melhora a capacidade dos efluentes.

Tratamento adicional

Ainda, há uma última possibilidade de tratamento biológico de esgoto que trataremos aqui. Para que estejam adequados à regulamentação ambiental e sigam todas as diretrizes, normalmente os métodos citados acima podem necessitar de complementações.

Com relação a isso, estamos falando de etapas adicionais como o tratamento UV, outras opções de filtragem (osmose reversa, ultrafiltração etc.) e cloração. Além disso, frequentemente são criadas alternativas por pesquisadores no mundo todo para economizar energia e aumentar a eficiência dos tratamentos.

Etapas do tratamento biológico de esgoto

Em um processo de tratamento biológico de efluentes, temos algumas etapas bem conhecidas que podem ser detalhadas aqui como exemplo para o que você acabou de ler. Confira um pouco mais a seguir!

1) Gradeamento

Após os resíduos chegarem pelo caminhão tanque, o tratamento biológico de esgoto inicia seu processo pelo gradeamento. Nessa etapa, são removidos os sólidos, sejam eles grandes ou pequenos.

Isso permite que não se tenha problemas nas etapas seguintes, onde serão utilizadas bombas e tubulações. Em geral, são removidos pedaços de madeira, plásticos, entre outros materiais que seriam danosos ao processo.

2) Elevatória

Na elevatória, o tanque deve possuir bombas e válvulas com uma ligação eficiente. A partir disso, será possível vencer as barreiras de topografia do terreno e seguir com o tratamento adequado.

3) Caixa de areia

Embora se tenha a primeira etapa para remover sólidos, alguns deles ainda conseguem ultrapassar as barreiras. Contudo, na etapa da caixa de areia eles serão removidos, pois ela tem baixa de fluxo para decantar as partículas e “raspar” o fundo. Os resíduos devem ser devidamente encaminhados para o aterro sanitário.

4) Lagoas aeradas

Na fase em que os resíduos chegam nas lagoas aeradas, um difusor “sopra” o ar e é mantido o nível de oxigênio necessário. Assim, os microrganismos realizam o seu trabalho de digerir e consumir a matéria orgânica. Além disso, é uma etapa mais demorada, chegando a até três dias para ser finalizada.

5) Lagoas de decantação

Depois da etapa anterior, são formados flocos menores que seguirão para a decantação por até um dia de processo. Com isso, cria-se uma espécie de lodo.

6) Dragagem

Em geral, as lagoas da etapa anterior passam por uma dragagem que busca prevenir o acúmulo de lodo. Graças a isso, o lodo não acompanha a água que é tratada e garante a qualidade de todo o tratamento biológico de esgoto.

7) Secagem e tratamento do lodo

Após ser dragado, o lodo precisa finalizar sua secagem, pois ainda não está 100% sólido. Para isso, adicionam-se flocos maiores que separam o restante em centrífugas para resultar em um lodo pastoso.

8) Compostagem

Para finalizar o tratamento, pode haver uma etapa de compostagem para garantir o viés ambiental. Essa etapa, contudo, dependerá do sistema de cada empresa.

Como podemos ajudar no tratamento biológico de esgoto?

Já temos know-how em produzir linhas especiais feitas apenas para esse tipo de uso, como a linha TechBIO: a mídia biológica em forma de “tubetes” (com 32, 50 ou 63 mm de diâmetro e 50 mm de comprimento), além de outros produtos que garantem maior área de superfície para a fixação dos microrganismos e aceleram o tratamento, reduzindo etapas. Esse maior contato é justamente o que potencializa a ação das bactérias no biofilme. Além disso, não usamos produtos originários do reprocessamento de embalagens de agrotóxicos, que poderiam matar as bactérias e prejudicar todo o processo.

O tratamento biológico de esgoto também depende diretamente da qualidade da estrutura montada, incluindo o material que permite o fluxo dos resíduos. As tubulações, por exemplo, devem permitir o melhor processo em qualquer um dos métodos adotados.

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